Bombeiros do Líbano acusam Israel de provocar fogos florestais de forma deliberada

Bombeiros do Líbano acusam Israel de provocar fogos florestais de forma deliberada

Equipas de emergências, moradores e ambientalistas acusam os militares de lançarem sinalizadores para destruir as florestas e as plantações.

Filipe Alexandre Gonçalves - RTP / Adicionar como fonte informativa
Incêndios no sul do Líbano terão sido provocados por munições e drones lançados pelo exército israelita. AFP

Há militares israelitas que estão a provocar, deliberadamente, incêndios no sul do Líbano, com grandes áreas florestais a serem consumidas pelas chamas.

A denúncia é feita por moradores e bombeiros daquela região libanesa, mas há também ambientalistas a afirmar que os incêndios das últimas semanas têm sido uma prática comum por parte do exército israelita. 

Segundo declarações do chefe da defesa civil da região de Nabatieh, Hussein Fakih, ao jornal britânico The Guardian, na última terça-feira o exército lançou sinalizadores para uma área arborizada nos arredores de Khiam, no sul do Líbano, provocando vários incêndios

No entanto, quando os bombeiros tentaram apagar as chamas, um drone atingiu as proximidades e forçou a equipa a recuar.

"A maioria das nossas missões está agora relacionada com os incêndios. Há enormes áreas de floresta queimadas", assegurou Fakih.

O chefe da defesa civil não dispõe de números exatos, mas explica que nas áreas próximas à linha da frente, cerca de 30 a 40 por cento do terreno foi afetado pelo fogo.

De acordo com alguns vídeos que estão a circular e também depoimentos de socorristas, o exército israelita provocou incêndios em todo o sul do Líbano, sobretudo em áreas com olivais e terrenos agrícolas, nos quase dois meses que se seguiram ao cessar-fogo de 17 de junho.

"Os pequenos drones lançam materiais incendiários, são também disparados projéteis de fósforo contra as florestas, além de sinalizadores luminosos", explicou Hussein Fakih. 
Incêndios repetem-se noutras zonas libanesas

Entretanto, bombeiros e moradores de outras zonas do sul do Líbano também confirmaram a ocorrência de incêndios idênticos que terão sido provocados por munições e drones lançados pelo exército de Israel. Aconteceram sobretudo em duas zonas densamente florestadas: em Kfarchouba, perto da fronteira, e entre Jezzine e o vale ocidental do Bekaa.

O chefe da estação de defesa civil da região, Samir Hardan, confirmou a existência de um incêndio que começou perto de Kfarchouba, na tarde de sexta-feira, depois de um drone ter lançado uma munição para uma área florestal. 

Após combater as chamas durante a noite e extingui-las no sábado, um segundo drone voltou a provocar um outro incêndio no domingo, referiu Hardan.

O jornal The Guardian cita alguns grupos de ambientalistas que dizem que os incêndios fazem parte de um padrão de ataques israelitas contra o meio ambiente do Líbano e que acabam por ameaçar as florestas do país e a biodiversidade. "São bosques antigos, dominados por pinheiros-mansos produtivos, juntamente com carvalhos. Desempenham funções essenciais. A área circundante também é uma importante rota de passagem e local de descanso para aves migratórias", afirmou Hisham Younes, fundador da organização libanesa de conservação ambiental Green Southerners.

Younes classifica os ataques israelitas como um "ecocídio" e afirma que faziam parte do padrão de ataques militares ao meio ambiente do sul do Líbano, com o objetivo de afetar o ecossistema com munições, fogo e produtos químicos.
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